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Eberick pra Revit: o que o plugin faz, o que ele não faz (e o que você precisa checar)
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Eberick pra Revit: o que o plugin faz, o que ele não faz (e o que você precisa checar)

Você exportou a estrutura do Eberick pro Revit e achou que estava pronto. Não está. Descubra os 3 pontos críticos que você PRECISA checar antes de mandar qualquer prancha pro cliente — e o que o plugin realmente faz (e o que ele deixa na sua responsabilidade).

Ermano Elias8 min de leitura

Eberick pra Revit: o que o plugin faz, o que ele não faz (e o que você precisa checar)

Você calculou a estrutura no Eberick. Fez todas as análises, ajustou armaduras, dimensionou vigas e pilares. Tudo pronto. Aí vem o dilema: agora precisa documentar tudo no Revit pra entregar prancha executiva — e aparece aquele plugin Struct que promete exportar tudo automaticamente.

Você clica "exportar", o arquivo chega no Revit, e você pensa: "pronto, estrutura pronta". Errado. O plugin é um atalho poderoso, mas é apenas 50% do trabalho. A outra metade é verificação, ajuste e confirmação de o que realmente chegou íntegro.

Esse artigo destrói a ilusão de que "exportar = entregar" e te mostra exatamente os 3 pontos críticos que você precisa checar ANTES de qualquer prancha ir pro cliente. Se você não fizer isso, sua documentação fica incompleta, contraditória com os cálculos ou pior — com erros de interpretação que só aparecem na obra.


O que o plugin Struct realmente faz

O plugin Struct é a ponte entre Eberick e Revit. Ele não cria novo projeto — ele traduz o que você calculou no Eberick pra estrutura 3D no Revit. Basicamente:

  • Lança pilares, vigas e lajes da forma como você modelou no Eberick
  • Cria elementos básicos em sólidos Revit (sem parametrização sofisticada)
  • Mantém cotas e eixos aproximados da origem Eberick
  • Exporta armaduras como componentes de aço (com limitações)

Parece simples? É — porque o plugin não é inteligente. Ele não sabe que você mudou de ideia em uma viga, que a laje tem espessura variável em uma zona, ou que você precisa de um detalhe construtivo customizado.

O plugin é uma ferramenta de tradução direta, não de validação. Isso significa que tudo que está certo no Eberick chega razoavelmente bem no Revit — mas tudo que está errado ou incompleto no Eberick permanece errado quando chega lá.


Ponto Crítico 1: Verificar Geometria Base (Pilares, Vigas e Lajes)

O primeiro passo depois que a exportação chega é: abrir o modelo no Revit e comparar visualmente com o Eberick.

Isso significa:

Pilares:

  • Abrir planta estrutural no Eberick, anotar as dimensões principais (20×50, 30×60, etc)
  • No Revit, selecionar alguns pilares em diferentes pavimentos e confirmar que as seções bateram
  • Verificar alinhamentos — se no Eberick a coluna está na eixo A-1, ela precisa estar exatamente ali no Revit também
  • Checar descontinuidades — se uma coluna termina no pavimento 3 e não continua, o plugin precisa ter representado isso

Vigas:

  • Comparar o perfil (20×50, 30×60, vão de armadura) do Eberick com o Revit
  • Muito cuidado com vigas invertidas ou com altura variável — o plugin às vezes reduz pra um só tamanho
  • Verificar se armaduras de flexão e transversais chegaram (veremos isso melhor no Ponto 3)

Lajes:

  • Confirmar espessura de cada laje (14cm, 20cm, etc)
  • Se a laje tem furos ou aberturas, o plugin pode não ter trazido — isso você precisa retrabalhar no Revit
  • Lajes com rebaixos ou alturas variáveis são problemáticas — o plugin traz como plano único

Como verificar: Abra o Eberick e o Revit lado a lado. Comece por 1-2 pavimentos completos e compare visualmente. Se 95% bate, o resto sai no retrabalho. Se só 70% bate, pode ser que a exportação tenha erro maior — reinicie.


Ponto Crítico 2: Confirmar Cotas, Eixos e Origem

Uma coisa que mata projeto é estrutura desalinhada da arquitetura. O plugin traz pilares, vigas e lajes, mas precisa estar tudo alinhado com os eixos que você definiu no Eberick.

No Revit, após importar:

  • Eixos de referência (eixo A, B, C... 1, 2, 3...) devem estar importados ou você precisa criar manualmente
  • Cota de origem — o 0,0 do Revit deve bater com o 0,0 do Eberick
  • Altura de piso — todos os pavimentos precisam estar nas alturas corretas (1º piso em 0cm, 2º em +3m, etc)
  • Rotação do projeto — se o Eberick está rotacionado 45°, o Revit importado precisa estar também

Por que isso importa? Quando você for compatibilizar com arquitetura, hidráulica e elétrico, todos os modelos precisam estar no mesmo sistema de coordenadas. Se a estrutura chegou desalinhada, suas linhas de eixo vão cruzar a parede da arquitetura no lugar errado, e aí é retrabalho massivo.

Como verificar: Abre a planta estrutural no Revit. Clica em um eixo vertical e outro horizontal. Nota a cota (deve ser números redondos como 0, 4.00, 8.00). Se estiver tudo decimado ou trocado, precisará ajustar.

Se você tiver um arquivo de arquitetura já no Revit, abre junto (como link externo) e sobrepõe — os pilares precisam "colar" nos eixos da arquitetura.


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Ponto Crítico 3: Analisar Armaduras e Detalhes (o que Realmente Chega)

Esse é o ponto onde a maioria dos projetistas se escapa errado.

O plugin traz:

  • Barras de armadura como componentes de aço 3D
  • Cotas e anotações básicas de diâmetro/comprimento (às vezes)
  • Tabelas de resumo de aço (às vezes parciais)

O plugin NÃO traz (ou traz errado):

  • Detalhes construtivos — emendas, ganchos, espaçadores, clips de painel
  • Armadura de pele em vigas altas
  • Armadura de distribuição em lajes (às vezes reduzida ou omitida)
  • Decalagens de armadura — se no Eberick você desceu um comprimento de barra, o Revit pode não representar com precisão
  • Notas de execução — "soldar aqui", "verificar cobrimento", "não interromper" — tudo isso você precisa adicionar manualmente

Como verificar:

  1. Selecione 1-2 elementos estruturais principais (viga crítica, pilar de canto, laje de cobertura)
  2. Compare visual: no Eberick, olhe a armadura. No Revit, olhe o que chegou.
  3. Conta barras: quantos ø12 tem no Eberick? Quantos chegaram no Revit?
  4. Verifica espaçamento: se no Eberick estão espaçadas a 20cm, no Revit deveriam estar também.
  5. Testa seções 3D: cria uma seção (corte) na mesma linha do Eberick. Compara visual com a imagem do cálculo.

Se as armaduras bateram, ótimo — você ganhou tempo. Se ficaram parciais ou erradas, não tente "corrigir no Revit". Revit não é ferramenta de cálculo. Você precisa:

  • Voltar ao Eberick, reexaminar o cálculo
  • Reexportar
  • Ou aceitar que vai detalhar manualmente no Revit (mais trabalhoso, mas correto)

Por que isso tudo importa: o risco real

Você entrega uma prancha estrutural documentada no Revit baseada em um modelo que chegou do Eberick. Tudo visualmente apresentável. Cliente aprova, obra começa.

Três semanas depois, o mestre-de-obra liga: "Engenheiro, a viga do eixo C não encaixa com o pilar, a armadura não fecha, e tem um pilar que ficou 15cm mais pra trás do que planejado."

Aí você volta na prancha, vê que o pilar estava desalinhado desde a importação (Ponto 2 que você não checou). Você volta no Eberick, vê que foi um erro na exportação. Você reexporta, retrabaiha tudo o Revit, emite nova prancha — isso é uma semana perdida, cliente chateado, credibilidade abalada.

Se você tinha checado os 3 pontos antes, isso não acontecia.


O fluxo correto: verificação e validação antes da entrega

Aqui está a sequência que os escritórios profissionais usam (e que você deveria usar também):

Passo 1: Exporta do Eberick via plugin Struct → arquivo .rvt chega Passo 2: Abre no Revit e valida geometria (Ponto 1) → compara pilar a pilar, viga a viga Passo 3: Confirma coordenadas e eixos (Ponto 2) → sobrepõe com arquitetura se houver Passo 4: Analisa armaduras em detalhes críticos (Ponto 3) → verifica 3-4 elementos principais Passo 5: Se tudo OK → começa pranchas executivas, adiciona notas e detalhes construtivos Passo 6: Se encontrou erros → volta ao Eberick, corrige, reexporta, reitero Passos 2-5

Esse fluxo leva 2-3 horas em um projeto pequeno (até 500m²). Em um grande, pode ser 1 dia. Mas é tempo poupado depois, porque você não vai perder semana na obra corrigindo pautas que já deveriam estar certas no projeto.


Ferramentas e dicas práticas

No Eberick, antes de exportar:

  • Salva uma cópia backup do projeto original
  • Limpa elementos soltos ou desnecessários
  • Verifica se há avisos ou erros no modelo (Menu Ferramentas → Validação)

No Revit, logo após importar:

  • Cria uma view 3D do pavimento térreo inteiro — olha o modelo como um todo antes de mergulhar em detalhes
  • Usa "Isolate Elements" para isolar 1-2 pilares e compara com Eberick lado a lado
  • Cria um sheet de verificação temporário (chamado "VERIFICAÇÃO — DELETAR DEPOIS") onde você marca com texto/notas o que checou

Se encontra inconsistências:

  • Anota EXATAMENTE onde (pilar A3, viga B2-C2, laje 2º pav)
  • Descreve o que está errado ("altura reduzida", "armadura incompleta", "eixo desalinhado")
  • Volta ao Eberick, corrige, reexporta só aquele pavimento ou elemento se possível
  • Nunca tenta "consertar" manualmente no Revit — Revit é documentação, não cálculo

O plugin é atalho, não solução completa

Depois que você passa por esses 3 pontos e valida tudo, aí sim você começa a produzir prancha. E é aqui que você percebe: o plugin economizou o tempo de lançamento, mas não economizou o tempo de validação e detalhe.

Muitos projetistas iniciantes acham que exportar é 80% do trabalho. Na verdade, é 30%. Os outros 70% são:

  • Validação (15%)
  • Detalhamento executivo (35%)
  • Anotações e notas (15%)
  • Ajustes finais (5%)

Conhecer isso muda sua estimativa de tempo e sua expectativa sobre o que o plugin faz. Struct é poderoso, mas não é mágica.

Se você quer aprender a estruturar todo esse fluxo desde o zero — cálculo no Eberick, validação, documentação completa no Revit, e entrega federada pra cliente — existe método e comunidade que faz exatamente isso. O caminho do Eberick ao Revit é uma fração do que um projetista completo precisa dominar.

Confira como estruturar esse fluxo inteiro na Comunidade Novos Projetistas — método completo, validado em 300+ projetos reais.


Conclusão

Eberick → Revit via plugin é prático e salva horas de relançamento manual. Mas não é automático. Antes de qualquer prancha sair:

  1. Valida geometria — pilares, vigas, lajes batem com o Eberick
  2. Confirma coordenadas — eixos, cotas, origem alinhados
  3. Analisa armaduras — detalhes críticos conferidos

Esses 3 passos levam poucas horas e evitam semanas de retrabalho na obra. O plugin fez a sua parte (tradução), agora você faz a sua (validação).

Pronto para estruturar todo esse fluxo do jeito que os escritórios de verdade fazem? Entre na Comunidade Novos Projetistas e aprenda o método completo de projeto estrutural + documentação executiva.

Perguntas frequentes

Ainda tem dúvida?

O plugin Struct traz automaticamente todas as armaduras do Eberick pro Revit?

Não completamente. O plugin traz as barras principais (flexão e transversal), mas frequentemente deixa de lado armadura de pele, distribuição em lajes, e detalhes construtivos (ganchos, emendas, espaçadores). Você precisa sempre comparar visualmente o Eberick com o modelo Revit importado e completar manualmente o que faltou. É por isso que validação é obrigatória, não opcional.

E se o modelo importado chegar com pilares desalinhados dos eixos?

Isso significa que a origem ou os eixos de referência não foram exportados corretamente. No Revit, você precisa reposicionar manualmente ou voltar ao Eberick, checar coordenadas e reexportar. Nunca comece prancha com estrutura desalinhada — quando você compatibilizar com arquitetura e instalações, vai descobrir que tudo está trocado. É mais rápido corrigir agora do que depois.

Posso detalhar armaduras no Revit se elas chegaram incompletas do Eberick?

Tecnicamente sim, mas é arriscado. Revit não valida cálculos de estrutura — você pode adicionar barras visualmente, mas sem saber se atendem às normas de espaçamento, cobrimento ou quantitativo de aço. O correto é voltar ao Eberick, corrigir o modelo, reexportar, e depois detalhar as notas/detalhes construtivos no Revit. Assim você mantém coerência entre cálculo e documentação.

Qual é o tempo médio pra validação completa de uma importação Eberick → Revit?

Em projetos pequenos (até 500m², 3 pavimentos), 2-3 horas. Em projetos médios (1.000-2.000m²), 4-8 horas. Em projetos grandes, um dia inteiro. Isso inclui comparação visual, verificação de eixos, análise de armaduras em elementos críticos, e ajustes. Não é muito tempo considerando que economiza relançamento manual (que levaria 20-30h).

O plugin Struct funciona com todo tipo de estrutura (lajes maciças, nervuradas, pré-moldadas)?

Com lajes maciças e vigas/pilares convencionais, funciona bem. Com lajes nervuradas, caissões ou pré-moldadas, o plugin tem limitações — traz geometria básica, mas detalhes de apoio, emendas e especificações precisam ser retrabalhos. Sempre valide, especialmente se você usou sistemas não-convencionais no Eberick.

Se fiz uma alteração no Eberick depois de exportar, preciso reexportar tudo ou posso atualizar no Revit?

Se a alteração foi pequena (ajuste de uma viga, mudança de armadura), geralmente é mais rápido corrigir diretamente no Revit. Mas se foi algo estrutural (mudança de pavimento, deslocamento de pilar, ajuste de laje), reexporte — mantém coerência com o cálculo. Nunca deixe documentação (Revit) diferente do cálculo (Eberick) — é aí que nascem erros de execução.

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