Primeiro projeto no Eberick: o que ninguém te avisa antes de começar
Você finalmente abriu o Eberick. Criou um projeto novo, ficou olhando pra tela por alguns minutos e… travou. Não sabe por onde começar. Fica clicando em menus aleatórios na esperança de que algo faça sentido, e no final do dia a sensação é de que o problema é você.
Não é.
O problema é que ninguém te ensinou o fluxo antes de te colocar na frente do software. A maioria dos recém-formados chega no Eberick depois de ter visto umas aulas de resistência dos materiais, talvez um vídeo solto na internet, e acha que vai "descobrindo" conforme usa. O resultado é sempre o mesmo: retrabalho, modelo estrutural inconsistente e uma baita frustração que faz muita gente largar projetos estruturais antes mesmo de entregar o primeiro.
Esse artigo nomeia os 3 erros de setup que travam o projetista logo nos primeiros cliques — e mostra o que precisa acontecer antes de você lançar uma única viga ou pilar.
Por que o Eberick intimida tanto no começo
O Eberick é um software robusto. Ele faz lançamento, dimensionamento, otimização e detalhamento de armaduras — tudo numa interface que parece simples, mas esconde uma lógica muito específica de trabalho.
O problema não é a complexidade do programa em si. É que ele pressupõe que você já sabe em qual fase do projeto está e o que precisa ser definido antes de partir pro lançamento. Sem essa consciência de fluxo, você começa a lançar vigas antes de ter a arquitetura compatibilizada, define parâmetros de concreto no meio do processo e acaba com um modelo que não fecha na hora de gerar as pranchas executivas.
O Eberick não te avisa que você está na ordem errada. Ele simplesmente deixa você continuar — e o estrago aparece lá na frente, quando é muito mais difícil corrigir.
Erro 1: Entrar no programa sem ter a arquitetura amarrada
Esse é o erro mais comum e o mais caro em tempo de retrabalho.
O projetista estrutural recebe uma planta baixa em PDF, às vezes nem isso — uma imagem escaneada — e já começa a lançar a estrutura no Eberick. Lança pilares onde "acha" que faz sentido, posiciona vigas conforme a intuição e, quando o cliente manda a revisão da arquitetura com aquela parede que mudou de lugar, toda a estrutura precisa ser refeita.
O que precisa acontecer antes: a arquitetura precisa estar fechada no mínimo em nível de anteprojeto. Você precisa saber:
- Posição e dimensão de todos os pilares arquitetônicos e estruturais
- Cotas gerais do pavimento (pé-direito, nível de piso, balanços)
- Cargas previstas (uso do ambiente, equipamentos pesados, reservatórios)
- Tipo de cobertura e laje prevista pelo arquiteto
Sem isso, você não está projetando — está chutando. E chutar no Eberick tem um custo: o modelo fica inconsistente, o dimensionamento sai errado e as pranchas executivas não refletem a realidade da obra.
Na prática: antes de abrir o Eberick, tenha em mãos a planta arquitetônica compatibilizada e faça uma leitura técnica do projeto. Marque à mão os pontos de apoio possíveis, identifique os vãos críticos e só então comece o lançamento.
Erro 2: Configurar os parâmetros de projeto no padrão genérico
O Eberick abre com configurações padrão. E muita gente simplesmente aceita tudo e vai em frente.
O problema é que esses padrões raramente correspondem ao que a NBR exige para o tipo de estrutura que você está projetando — e muito menos às especificações do seu cliente ou da construtora que vai executar a obra.
Os parâmetros que mais causam problema quando deixados no padrão genérico:
- Classe de agressividade ambiental: define o cobrimento mínimo das armaduras. Usar classe I numa edificação litorânea (classe III ou IV) é um erro de projeto grave.
- Fck do concreto: o padrão pode estar em 25 MPa, mas o seu cliente já tem fornecedor de concreto usinado com fck 30 MPa definido em contrato. Se você não ajusta, o dimensionamento sai com consumo de aço errado.
- Tipo de laje: laje maciça, nervurada, pré-moldada — cada uma tem parâmetros de lançamento e dimensionamento diferentes. Definir isso depois de lançar tudo gera retrabalho massivo.
O que precisa acontecer antes: reserve 30 a 45 minutos só para configurar o projeto corretamente. Defina classe de agressividade, resistência do concreto, tipo de aço (CA-50, CA-60), modelo de laje e critérios de flecha e fissuração conforme a NBR 6118. Isso não é burocracia — é a base que garante que o dimensionamento vai sair correto na primeira rodada.
Erro 3: Pular a compatibilização e tratar a estrutura como disciplina isolada
Esse erro é silencioso. Você lança, dimensiona, otimiza, gera as pranchas — e tudo parece certo. Aí o instalador hidráulico chega e descobre que o shaft de esgoto passa exatamente por dentro de uma viga baldrame. Ou o eletricista precisa passar eletroduto em laje onde não há espaço nenhum entre as nervuras.
Tratar a estrutura como disciplina isolada é o grande erro conceitual do projetista que nunca trabalhou num escritório com fluxo real.
Num projeto integrado em BIM, a estrutura precisa ser compatibilizada com:
- Arquitetura: laje não pode conflitar com pé-direito mínimo, vigas não podem aparecer onde o projeto prevê forro liso, pilares precisam estar alinhados com as paredes ou embutidos dentro delas.
- Hidrossanitário: passagens de tubulação em lajes e vigas precisam ser previstas como aberturas (furos de forma) antes do detalhamento da armadura.
- Elétrico: eletrodutos embutidos em laje maciça precisam ser considerados no dimensionamento — ignorar isso reduz a seção efetiva da laje.
A compatibilização não acontece só no final, numa reunião de revisão. Ela é contínua, começa no anteprojeto e vai até o detalhamento executivo.
O que precisa acontecer: antes de fechar o detalhamento no Eberick, exporte o modelo (ou use o QIEditor de Armaduras) e compare com os modelos das outras disciplinas. Conflito detectado cedo custa horas. Conflito detectado na obra custa dias — e dinheiro do seu cliente.
O que o fluxo certo parece na prática
Quando você entende o fluxo antes de abrir o software, o processo muda completamente. Em vez de abrir o Eberick e ficar perdido nos menus, você chega com clareza:
- Briefing e diagnóstico — tipo de estrutura, uso, localização, condições do terreno
- Estudo preliminar — pré-dimensionamento de pilares, vãos principais, tipo de laje
- Anteprojeto — lançamento completo no Eberick com a arquitetura compatibilizada
- Dimensionamento — rodadas de cálculo, otimização de seções e consumo de aço
- Detalhamento executivo — pranchas de forma, locação de pilares, armaduras no QIEditor
- Entrega federada — exportação em formatos que a construtora e os outros projetistas usam
Esse fluxo em 6 fases é exatamente o que separa um modelo estrutural profissional de um modelo que "até calcula, mas ninguém consegue usar na obra".
Por que a maioria aprende na marra — e o custo disso
A formação tradicional de engenharia civil não ensina fluxo de escritório. Você aprende teoria estrutural, faz cálculos à mão, talvez use o Eberick num TCC — mas nunca dentro de um processo real de projeto integrado com outras disciplinas.
O resultado é que a maioria dos recém-formados aprende na marra: erra no primeiro projeto, refaz, erra de novo em algo diferente, vai ajustando ao longo de meses. Esse processo tem um custo alto: tempo desperdiçado, projetos entregues com baixa qualidade, clientes insatisfeitos e — o pior — um portfólio que demora muito pra sair do papel.
Cada semestre que passa sem método é um portfólio que não existe.
Se você quer comprimir esse ciclo de aprendizado e já sair entregando no nível de escritório, o caminho mais direto é aprender o fluxo completo — arquitetura, estrutura, elétrico e hidrossanitário — aplicado a um projeto piloto real, com templates profissionais validados e suporte de quem já fez isso mais de 300 vezes.
O que você precisa dominar além do Eberick
Saber operar o Eberick é só uma parte da equação. Um projetista estrutural completo, capaz de fechar projetos e cobrar bem por isso, também precisa:
- Gerar pranchas executivas que chegam limpas na obra — planta de locação, planta de formas, cortes e detalhes de armadura no padrão ABR
- Exportar em formatos que o mercado usa — .rvt para compatibilização BIM, .pdf para aprovação e entrega ao cliente, .ifc para interoperabilidade
- Comunicar o projeto pro cliente sem jargão técnico — a planta 3D federada faz isso melhor do que qualquer memória descritiva
- Precificar corretamente — saber quanto cobrar por um projeto estrutural residencial, comercial ou industrial é tão importante quanto saber dimensionar
Esses elementos não aparecem em tutoriais isolados de software. Aparecem quando você aprende dentro de um fluxo de escritório real.
Conclusão
Travar no Eberick não é sinal de que você não tem perfil pra projetos estruturais. É sinal de que ninguém te ensinou a ordem certa das coisas antes de te colocar na frente do software.
Os 3 erros que travam a maioria dos recém-formados — entrar sem a arquitetura amarrada, aceitar os parâmetros genéricos e tratar a estrutura como disciplina isolada — têm solução direta: aprender o fluxo completo de um projeto real antes de tentar executar o seu.
Na Comunidade Novos Projetistas, você executa o Projeto IPR 01 do zero ao detalhamento executivo, nas 4 disciplinas integradas, com os mesmos templates e o mesmo fluxo que o escritório Escale usa em projetos reais. São +65 aulas de estrutural cobrindo lançamento, dimensionamento no Eberick, detalhamento no QIEditor de Armaduras e entrega de pranchas executivas — com suporte direto de +400 engenheiros e resposta em até 2h úteis.
Perguntas frequentes
Ainda tem dúvida?
Por onde começo no Eberick se nunca usei o programa antes?
Antes de abrir o Eberick, você precisa ter a planta arquitetônica compatibilizada em mãos e entender o fluxo do projeto estrutural: briefing, pré-dimensionamento, lançamento, dimensionamento e detalhamento. Sem essa sequência clara, qualquer software vai te travar. O Eberick pressupõe que você sabe em qual fase está — por isso aprender o fluxo primeiro é mais importante do que aprender os menus do programa.
Quais parâmetros devo configurar antes de lançar a estrutura no Eberick?
Os principais são: classe de agressividade ambiental (define o cobrimento mínimo conforme a NBR 6118), resistência característica do concreto (fck), tipo de aço (CA-50 ou CA-60), modelo de laje (maciça, nervurada ou pré-moldada) e critérios de flecha e fissuração. Aceitar os padrões genéricos do programa sem ajustar esses parâmetros resulta em dimensionamento incorreto e retrabalho na fase de detalhamento.
Preciso compatibilizar a estrutura com as outras disciplinas antes de fechar o projeto no Eberick?
Sim, e essa compatibilização deve acontecer de forma contínua — não só no final. Passagens de tubulação hidráulica precisam ser previstas como furos de forma antes do detalhamento da armadura. Eletrodutos embutidos em laje maciça afetam o dimensionamento. Vigas e pilares precisam estar alinhados com a arquitetura. Conflito detectado no modelo custa horas de correção; conflito detectado na obra custa dias e dinheiro do cliente.
Qual é o fluxo correto de um projeto estrutural profissional?
O fluxo passa por 6 fases: briefing e diagnóstico (tipo de estrutura, uso, localização), estudo preliminar (pré-dimensionamento), anteprojeto (lançamento completo com arquitetura compatibilizada), dimensionamento (cálculo e otimização no Eberick), detalhamento executivo (pranchas de forma e armaduras) e entrega federada (exportação em .rvt, .ifc e .pdf). Seguir essa sequência evita os principais erros de retrabalho e garante um modelo que pode ser usado diretamente na obra.
Quanto tempo leva para entregar um projeto estrutural residencial no Eberick?
Depende da complexidade da edificação e do seu nível de domínio do fluxo. Para uma residência unifamiliar simples, um projetista com método claro consegue fazer o lançamento, dimensionamento e detalhamento em 2 a 4 dias de trabalho efetivo. Sem método, o mesmo projeto pode levar semanas por causa do retrabalho gerado por erros de setup, compatibilização tardia e configurações incorretas de parâmetros.
Precisa saber usar o Revit para trabalhar com o Eberick?
Não necessariamente, mas saber os dois amplifica muito sua capacidade como projetista. O Eberick cuida do dimensionamento e detalhamento estrutural, enquanto o Revit permite trabalhar com o modelo federado integrado às outras disciplinas (arquitetura, hidráulico, elétrico). Num escritório BIM profissional, o modelo estrutural precisa ser compatibilizado com os modelos das outras disciplinas — e isso é feito com ferramentas como o Revit ou via exportação IFC.